"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

domingo, 10 de janeiro de 2010

Emerson entrevista Chiko Queiroga e Antônio Rogério

(Ao Lado da dupla). Foto: Chrys Maciel

Faltavam pouco mais de 10 minutos para inicio do show, quando a Dupla sergipana Chiko Queiroga e Antônio Rogério, nos recebeu no camarim,nesse sábado, 9, durante programação do 35º Encontro Cultural de Laranjeiras.

Juntos há quase 12 anos, eles revelam o carinho imenso que sentem pela cidade de Laranjeiras, e falam do privilegio que é beber da cultura da cidade.

Veja os principais trechos da entrevista:

Emerson Maciel Juntos há quase 12 anos, sempre fazem questão de citar Laranjeiras nas letras, Antônio Rogério como se sente em estar de volta a Laranjeiras?

Antônio Rogério – Laranjeiras é uma cidade mágica, muito rica culturalmente e eu creio que todo artista que vem para aqui, ele não só trás, mas recebe muito mais do que trás, porque Laranjeiras, ela tem uma riqueza muito grande, no que diz respeito aos seus folguedos, nós temos aqui o Samba de Pareia, São Gonçalo, temos a Mussuca ali como um grande gueto de preservação da cultura sergipana e da cultura popular, então está aqui em Laranjeiras, é mais do que uma participação impar, porque como eu já disse além de a gente vir trazer os trabalhos que a gente vem apresentando, pelo Estado, pelo Brasil e pelo mundo, a gente também vem receber todas essas informações que Laranjeiras tem para dar a qualquer artista do Brasil e do mundo. Então assim, a nossa música, ela já tem lugar guardado aqui em Laranjeiras, porque nós somos pesquisadores da cultura aqui de Laranjeiras e também fizemos alguns trabalhos justamente bebendo dessa fonte riquíssima que é a cidade de Laranjeiras, principalmente durante o encontro cultural.

Emerson Maciel – Chiko Queiroga, gravação do primeiro CD ao vivo, o povo de Laranjeiras está ansioso para saber quando vai ser o lançamento, tem previsão?

Chiko Queiroga – Na verdade lançamento do DVD, inclusive como o Antonio Rogério Falou, a gente tem feito muitas coisas aqui, porque a gente gosta muito aqui da cidade, porque tem tudo a ver com a gente, e sempre que estamos aqui, sempre pintam uma inspiração, e durante esses 12 anos de carreira, a gente conseguiu fazer duas músicas, muito inspiradas sobre Laranjeiras, uma se chama ‘Laranjeiras’ e outra chamada ‘Menina de Laranjeiras’, e essas duas músicas estão no nosso novo DVD, uma homenagem que a gente faz a uma cidade que a gente adora muito, a gente tem muito prazer de estar sempre cantando aqui no encontro cultural não só dentro desse projeto, mas no Laranjeirart também que é um projeto que existe aqui, e fazendo projetos independentes aqui dentro da cidade, a gente tem um publico seleto aqui, fez alguns trabalhos sociais dentro da Mussuca também e interagindo com o pessoal de lá que é uma coisa que enriquece muito a nossa inspiração, a nossa habilidade musical de compor, Laranjeiras inspira muito e a gente aconselha que todos os músicos de Sergipe, tenham esse conhecimento em relação aos folguedos que o Antônio Rogério Falou que existe aqui. As batidas que existe em Laranjeiras, a parte rítmica daqui é maravilhosa, para mim um das melhores do Brasil, eu sei que Pernambuco tem lá o maracatu, o caboclinho e o frevo, mas aqui tem mais coisas, tem o Samba de Pareia, tem o São Gonçalo, tem a Taieira, o próprio caboclinho daqui também, enfim, batidas que a gente pode se aproveitar muito para inserir dentro do nosso contexto musical, então o que importa é estar aqui hoje, passeando mais uma vez, a gente espera vir sempre aqui, independente do encontro cultural e do festival de verão, a gente vem sempre em Laranjeiras para beber dessa fonte como o Antonio Rogério falou.

Emerson Maciel – Nesse DVD ao vivo tem alguma música que cita o nome do Saudoso Poeta João Sapateiro?

Chiko Queiroga – João Sapateiro é uma música de um compositor que é sobrinho nosso, Jonathan Freitas, que a gente quer inserir também em nosso repertório, inclusive a gente queria tocar essa música aqui hoje, mas a gente não teve tempo para ensaiar, mas é uma música belíssima, foi campeão do festival da TV atalaia, mas na próxima oportunidade a gente vai cantar essa música, ela vai fazer parte de nosso repertorio, pois é mais uma música inspirada em Laranjeiras. A gente espera fazer muitas coisas aqui, porque aqui é uma fonte inspiradora maravilhosa e os próximos trabalhos nossos, com certeza vai ser coisas daqui de Laranjeiras envolvidas no nosso trabalho.

Emerson Maciel – Antônio Rogério, hoje participamos de uma roda de leitura, e fiz questão de ler a música ‘Mestiça’, ficamos amanhã toda tentando descodificá-la, e não conseguimos, mas, a mestiça é uma linda mulher negra da Mussuca ou não passa de comentários maldosos?

Antônio Rogério – (Gargalhadas) O Chiko vai explicar essa parte...

Chiko Queiroga – Na verdade na Mussuca, tem muitas mestiças, porque queira ou não queira, a negra até hoje é sensual demais, qualquer mulher no planeta, para você ver que na Alemanha, os gringos eles gostam das negras, os americanos, e os brasileiros principalmente, tudo surgiu, o molejo que existe hoje no Rio de Janeiro, da Bahia, vem tudo da negra, e a mestiça ela é isso ai, e foi inspirada em uma negra como se ver lá no bairro Mussuca mesmo, podemos dizer do pelourinho, porque o Pelourinho (Salvador/BA) e a Mussuca tem tudo haver, a irmandade são as mesmas, então a ‘Mestiça’ é inspirado nisso, e claro que como somos aqui de Sergipe, a Mussuca é a referência maior para a inspiração da música.

Emerson Maciel – Vocês sempre durante os shows tentam passar uma mensagem para que a população passe a dar mais valor aos artistas da terra, mas como sobreviver a um mercado que a muito vem importando artistas de outros Estados e esquecendo os locais?

Antônio Rogério – Realmente esse é um problema que Sergipe ainda tem e espero que não demore muito tempo, eu creio também que até pela proximidade da Bahia, a gente sofre uma influência muito forte da música baiana, e assim, nós não temos nada contra a música baiana, nem contra os baianos, muito pelo contrário, nós adoramos a Bahia, nós adoramos o ritmo baiano, o que a gente questiona é que Sergipe só toca a Bahia, os eventos sergipanos, inclusive até o próprio encontro cultural durante muito tempo tem sofrido influencias fortes da música baiana no tocante a deixar inclusive de prestigiar os próprios folguedos como protagonistas, os próprios artistas sergipanos como protagonistas, e colocando os artistas e folguedos que são justamente o que os turistas, digamos assim, o povo em geral, quer ver de fato, a proposta do encontro cultural, especificamente que é você mostrar o que existe aqui em Sergipe. A co-influencia baiana tem mascarado o que de fato deveriam estar às claras, então nós temos conseguido sobreviver a esse mercado super influenciado pela cultura baiana pelo fato de a gente ter tido a oportunidade, ou ter cavado a oportunidade de ter saído de Sergipe, na verdade a gente tem tocado muito mais fora de Sergipe, até justamente por essa influência, então a gente, inclusive lança um apelo, uma linha de conscientização, que coloquem mais os artistas sergipanos nos eventos dos interiores do Estado, principalmente nos encontros culturais de Laranjeiras, de Japaratuba, em fim do Estado inteiro, porque o artista está fora, se você for parar para analisar, a maioria dos eventos daqui, poucos artistas, ou quase nenhum participa. Nós ainda temos conseguido, trabalhamos nesses anos todinhos com projetos de formação de publico, então a gente tem publico no Estado inteiro, e a gente ainda consegue sobreviver, mas poucos, ou quase nenhum artista, além da gente consegue sobreviver de musica aqui em Sergipe que é muito difícil, porque existe essa influencia de artistas de fora da mídia nacional e da influencia baiana.

Emerson Maciel – Para finalizar sem querer tomar muito tempo gostaria que vocês cantassem pelo menos o refrão da música Laranjeiras.

Antônio Rogério – Bom, tem duas.

Chiko Queiroga – Vamos cantar as duas então, só o refrão.

Chiko e Antônio – (Cantalorando) Ah, falando em futuro veja como brilha o sol de Laranjeiras, contanto para a gente, nas sombras desses casarões, hein, havia um pouco também, falando no destino, imagine todos esses sobrados e o futuro lá dentro traçado, um presente guardado para nós. Vosso rei pediu a dança é de ponta de pé de carcanhar (bis), onde mora vosso rei de conga é de ponta de pé é de carcanhar.

Antonio Rogerio – Quer que cante a outra? Vamos lá Chiko...

Chiko e Antônio – Menina me diz o destino, menina me diz o caminho, de chegar ao seu coração, eu estou tão apaixonado, com os quatro pneus arriados por você, essa menina faceira, quando passa a Mussuca incendeia com a beleza de seu sapatear. Me excita, esse teu gingado, ó Nady, continuo encantado por você. Vamos sambar de pareia (3 x), vamos sambar de pareia, menina sapateia.


P.S.: Breve vamos disponibilizar o audio completo da entrevista

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