"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

terça-feira, 27 de julho de 2010

A evolução da mídia e o papel apolítico dos jornalistas


Por: Emerson Maciel
“Jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade” – George Orwell


Revisando minhas apostilas acerca de teorias literárias me veio a mente a ideia de escrever algo relacionado ao papel evolutivo da mídia. Em verdade o titulo mais adequado para o artigo em tela seria ‘A evolução política e o modo de pensar dos jornalistas’, quis omiti-lo a principio para forçar a curiosidade dos leitores. 
A imprensa sempre foi um fenômeno. A principio um fenômeno a serviço da sociedade burguesa e suas atividades lucrativas. Mas ao logo de seus mais de 300 anos de existência ela sofreu, altos e baixos. Vamos por parte.
Em um retrospecto rápido, lembremos que no principio as informações eram feitas em matérias não muito adequadas, seguindo a escala: papiro, linho, algodão e o pergaminho. Só depois do século XV é que a evolução se assemelhou as de hoje, com muitas restrições, lógico. 
Quem estuda as evoluções históricas deve ficar “perplexo” com a informação de que o alemão Gutemberg foi o criador da imprensa. Grande equívoco. Gutemberg utiliza-se de um invento chinês, isto é, a tipografia, e transformou os tipos de madeiras para chumbo, que tornaria a partir de então as obras mais convincentes. Ao introduziu a forma moderna de impressão de livros, que possibilitou a divulgação e cópia muito mais rápida de livros e jornais, o gráfico alemão entrou para a história da imprensa. Teve toda sorte do mundo, ao ganhar na loteria biológica, nasceu rico, filho de um comerciante riquíssimo da cidade de Mainz.
Com grande parte da população sendo analfabeta e ainda para dificultar o papel muito caro a imprensa contou com o advento do “Fenômeno Religioso” que ocorreu em 1957, no qual a leitura passou a ser instituída como uma forma de salvação, pois a bíblia que era monopólio da igreja com um custo estimado de 90 bois, mais ou menos 30 mil reais (feita em pergaminho), passa agora a ser de domínio público com o custo de ovelha mais ou menos 200 reais (impressa pelas novas técnicas).
Lendo artigos de jornais antigos e algumas revistas especializadas em imprensa. Percebemos que na França foi onde a imprensa deixou a “sola” da burguesia. Este período ficou marcado principalmente pelo artigo 11 da Constituição francesa (26/08/1789) que previa a livre comunicação, e neste período de liberdade de imprensa, os meios de informação escritos aumentam em um curto período o que não havia acontecido nos últimos 200 anos. Em apenas 2 anos e 6 meses surgem nas cidades francesas 680 jornais. O que levou a condições básicas para o surgimento da imprensa moderna.
Poderíamos ficar aqui, ou prosseguirmos falando sobre a evolução da imprensa. Mas vamos direto ao tema proposto. A imprensa hoje é apolítica? Os jornalistas têm cumprindo com seu papel de informar de forma parcial a população?
Um amigo nosso, jornalista, afirmou que não se dá para manter um jornal sem falar de política partidária. Até concordo, mas o que não se pode existir é usar da confiança e credibilidade dispensada pelos leitores para fazer sensacionalismo orquestrado.
Basta um pouco de atenção nos programas matinais, a maioria dos apresentadores radiofônicos, têm um lado político declarado, mas dizem ser imparciais, até são, em certo ponto. Sim, certo ponto, afinal como fazer jornalismo imparcial tendo como patrão um deputado, senador, ou político com ou sem mandato?
Não queremos classificar os companheiros de imprensa como  fantoches, não é esse nosso objetivo, até porque não generalizamos.
Outrora a imprensa se reuniu para se libertar da burguesia, hoje se separam para se formar aliança como cristais quebrados. Digo isto, pelas constantes guerras que tenho observado nas redes sociais. Jornalistas-politicos e políticos-jornalistas, trocando farpas, cada um defendendo suas “ideologias” partidárias, mas para onde foi à imparcialidade?
Como afirmou bem escreveu Pierre Beaumarchais, "Sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero."
Corroboramos com Pierre, pois sem a crítica a nossa liberdade de falar o que pensamos, ou ainda, o que se é verdade, nunca vai existir um elogio sincero. Obviamente que não somos contra um profissional da comunicação entrar na política sendo detentor de um cargo publico emanado pelo povo. Vivemos num Estado de direito. Mas para uma boa informação a apoliticidade partidaria no setor de trabalho é o que torna a imprensa mais saudável.
A imprensa antiga se modernizou, e esta, se pós-modernizou. As noticias dos telejornais já não são mais exclusivas; amantes do twitter e blogs, sabem tudo de forma rápida e “segura”.
Só nos resta, como formadores de opinião fomentar o sonho de continuar lutando por uma imprensa fonte e transparente, que precisa ser reciclada, precisa ser re-pensada, ou melhor, pensada pela terceira vez, para que assim as boas informações, tanto políticas, quantos dos demais interesses da sociedade, possam partir de fato de fontes transparentes.
Lembramos que Mídia comprada, argumentos questionáveis, endeusamentos exagerados, corporativismo partidário, são nocivos a democracia.

* Emerson Maciel é Jornalista,  Membro da Associação Internacional de Escritores e Artistas (Ohio - USA), Cônsul Poetas del Mundo (México), Embaixador da Paz pelo Circulo da Paz (Suiça) e Chanceler do Movimento Cultural a Plêiade.

 


Um comentário:

Paulo disse...

Amei o texto!!! Sem comentários! Abração!!!