"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

sábado, 28 de agosto de 2010

O mal do homem é a solidão


Quando meus amigos perguntam-me quem seria minha alma gêmea, com um pouco de cadência, eu respondo, Clarice Lispector.  E todos caem na gargalhada.
Hoje, 27 de agosto, ao chegar da faculdade. Fiquei a pensar. Isolado em meu quarto, me veio à mente a frase do Renato Russo, “... O mal do mundo é a solidão”. Devo concordar com tal frase e ainda parafraseá-la, “O mal do homem é a solidão”.
Ao ser humano é atribuída a árdua batalha de encontrar uma pessoa, ou melhor, a pessoa. Não sei, mas estou perdendo as esperanças em tal sentido. Se essa lógica fosse seguida, não precisaríamos criar o dia dos Solteiros. Não comemorei esse dia, mas se fosse o dia dos solitários estaria no movimento, em vigília.
Muitas pessoas passam por nossas vidas, algumas ficam outras vão. Daquelas, sempre uma nos chama a atenção. “Ah! O amor de minha vida!”. Quiçá, grande engano. Na medida em que o tempo vai passando, percebe-se que nem sempre a primeira impressão é a que fica. Se assim fosse... Se assim fosse.
Durante meu percurso, isto é, da faculdade até em casa, visualizei vários acontecimentos envolvendo relacionamentos. Não entrarei em detalhes, perderia muito tempo, fugindo do assunto. Um fato merece destaque. Parei o carro em uma praça bem movimentada, isto por volta das 22h30m, e fiquei ali analisando os jovens casais. Romântico como sempre fui, sempre gostei de levar a musa dileta a uma praça, sentar, papear, recitar poesia, etc. Sou do tempo do neo-romantismo (Leia-se: Vinicius de Moraes). Mas, hoje parece que a “coisa” mudou, o que se percebe é falta de amor e a necessidade de alguém para apagar a solidão. Hoje em dia o motivo de querer alguém é para não ser mais um solitário, ou ainda, para não ficar só. O que me impressiona é que muitos são felizes assim, uma felicidade patética, mas conseguem enganar ao próprio coração (felicidade de papel).
O tempo estar voltando, estamos no “Arcadismo”. O Romantismo que atingiu o Brasil em meados da século XIX, foi pelo ralo. Sim pelo ralo. E os arcaicos comemoram a situação. E os românticos, sempre aguardando...
No meu caso, hoje tomei uma decisão, vou ficar só por mais um bom tempo. No final das contas, de que adianta servir ao outro, enquanto o outro não aprendeu a ser mordomo em um relacionamento. Cansei da falta de altruísmo desta Nova Era (Leia-se: Neo-arcadismo). As pessoas desta Era querem trabalhar pelo próprio relógio, deixando o sentimento do outro em terceiro plano. Isto é correto? Lógico que não.

Não serei mais o último romântico, serei o ultimo solitário no mundo arcaico. A mulher de minha vida??? Pode ser Clarice Lispector? Não? Ahhhh... Então fica para a próxima edição.

Um comentário:

A wild blumen disse...

Me identifiquei totalmente com este seu post! Tanto que me atrevi a copiá-lo (com o devido crédito) no meu blog:

vidavegetal1.blogspot.com

É reconfortante saber que existe ainda esperança para a cultura do país na minoria ruidosa entre os quais Cecília Fidelli, eu e outros valiosos amantes das letras e da leitura!