"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

sábado, 14 de agosto de 2010

Saudades do Poeta Luiz Lyrio


Amanhã, 15, fará 8 (oito) dias de nostalgia literária para mim e para tantos amantes da arte por esse Brasil afora. Perdemos Luiz Lyrio. O Lyrio da paz, como o chamava nossa amiga Luciana Tannus.

Um poeta construtor, pois através de sua segunda paixão, a história, ajudou a construir sonhos de milhares de alunos. Meu coração cheio de remoço chora por dois motivos. O primeiro por ter perdido um amigo-poeta, segundo, por ele ter ido embora sem termos nos desculpados um com outro. Explico adiante...

No dia 12 de novembro de 2009, meu companheiro fiel Poeta Carlos Conrado, me convidou para ir a Salvador para participar do Projeto Fala Escritor. Aceitei sem ao menos perguntar quem nos acompanharia. Ele foi curto, dizendo que tinha um amigo para me apresentar durante a viagem que aconteceria no dia 14 do mesmo mês e ano. Esse amigo era Luiz Lyrio. Saímos numa manhã de sábado no carro dele, Luiz. Conversando, ouvindo músicas e etc... Às quase 4 (quatro) horas de viagem de ida possibilitou uma aproximação prematura entre Luiz e eu. A viagem de vinda, muitos sonhos por realizarmos juntos.

Dias se passaram e nossos laços de amizade cada vez mais curtos. Conrado sempre mediando conversas e encontros. Seja com a Tertúlia ou com outro movimento cultural. Mas como um defensor ferrenho dos revoltosos do advento da ditadura militar, Luiz Lyrio não permitia nenhum foco de “agressão” aos “heróis” que enfrentaram tal ditadura. Inocentemente fiz uma crítica dura a Dilma Roussef, pela forma que a mesma enfrentava a ditadura militar. Isso por e-mail. Luiz responde-me duramente, revidei sem pensar, e assim por diante...

O silêncio tomou conta de nossa amizade. Meses se passaram, e por uma bobagem a mágoa se enraizou.

Depois de um tempo, Lyrio pediu para o Carlos Conrado me ligar para mediar uma conversa, queria pedir desculpas, aceitei, pois também tinha o deveer de fazer o mesmo, mas fiquei de ver uma melhor data. Com a vida corrida que levo, não deu, foi tarde, meu coração reclama. Meu amigo foi embora para o além e eu não o perdoei em sua presença. Mas já o havia perdoado no momento do contato do Poeta Conrado. Tenho certeza que ele pensou nesse amigo aqui nos últimos momentos de sua vida.

Vai com os anjos meu bom amigo e poeta Luiz Lyrio.
 Tirei essa foto do Luiz durante a realização do Projeto Fala Escritor no Shoping Salvador

Um comentário:

Luciana Tannus disse...

Emerson, os verdadeiros amigos não têm de concordar com tudo que o outro diz, podemos refutar, mas concordar pelo simples fato de agradar, não faz sentido. Tenho certeza de que o Lyrio possuía um coração, tão grande e bom, quanto a postura ferrenha dele de defensor da ditadura militar. E aposto que essas pequenas diferenças de opiniões entre vocês dois não seriam maior e mais forte que a amizade de vocês. Pois, como um legítimo historiador que era, no fundo ele sabia da importância de respeitar o ponto de vista dos amigos. Nós, poetas e escritores, que somos, sabemos da sensibilidade que nos toca a alma, e admiro você pela sua coragem e atitude de se manifestar publicamente, isso só me confirma a sua nobreza de caráter. Esteja o Lyrio onde estiver, ele estará feliz com você e por você.