"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

sábado, 4 de setembro de 2010

Diálogo: Pessoas de religiões diferentes. É possivel?

Sabemos que em 1216 São Francisco foi ao Papa Inocêncio III e disse: "As cruzadas são contra a vontade de Deus. Devemos amar aos nossos inimigos e não guerreá-los". O Papa não acatou.

Francisco então vai a Damieta, onde se encontram as Cruzadas, combatendo contra os muçulmanos, e prega a Paz entre eles. É ridicularizado e expulso, mesmo assim Francisco decide encontrar pessoalmente os mussumanos. Rompe as fronteiras. É preso e torturado pelos soldados mussumanos. É levado ao Sultão. As fontes falam do Diálogo respeitoso e fraterno que mantiveram.

Francisco é bem tratado pelo Sultão e descobre que ele (O Sultão) não é como traumatizaram os Cristãos. Era na verdade um homem piedoso e reto. Surge uma amizade tão grande, que permitiram aos franciscanos posteriormente ficarem nos lugares Sagrados da Palestina, até os dias de hoje.

Eles rezaram juntos e juntos se enriqueceram discutindo Teologia. Sabemos que São Francisco assumiu a Categoria Altíssima, que é a Categoria Central da Teologia Muçulmana. Ao voltar a Itália, escandaliza a todos anunciando que 'devemos muito amar os nossos amigos e irmãos mussumanos'.

O Capitulo 16 de sua regra, prescreve como devem os Frades ir juntos aos mussumanos. Não diz para os mussumanos, e sim, ir juntos a eles. Em primeiro lugar devem os franciscanos viver com eles o Evangelho da Fraternidade Universal que consiste em evitar discussões e richas teológicas e simplesmente comportar-se como de forma digna  a todo o humano, somente depois, diz Francisco: Anuncie o Evangelho de Deus.

És um encontro respeitoso e gerador de paz, o caminho franciscano para o diálogo que seria o caminho do ocidente, para a paz interreligiosa se realizam nos seguintes passos:

1º: Tomar a iniciativa (ecumenismo) e não esperar que os outros venham a nós (fundamentalismo);
2º: Confiar nos outros porque são nossos irmãos;
3º: Conviver com eles no trabalho e na ascensão no mundo deles;
4º: Colocar-se como menores e não como superiores só pelo fato de sermos Cristãos;
5º: Antes compreender que ser compreendido. Amar que ser amado e fazendo-se sempre o instrumento de paz;
6º: Inserir tudo em uma atmosfera de oração;
P.S.: Antes de encontrar-se com o Sultão Francisco reza para pedir coragem e confiança. Ao despedir-se do Sultão, este, pediu a Francisco: "Reze por mim para que Deus me dê fé e lei que seja agradável a Deus e aos homens".
7º: Sempre ligar a paz dos homens com a paz de Deus, para que a paz seja duradoura.
P.S.: Com esse espírito não faz sentido o clássico lema: "Se queres a paz, preparem a guerra", mas faz todo sentido proclamarmos e dizermos: "Se queres a paz, prepare a paz".

São Francisco deixou claro que devemos dialogar com o próximo, com pessoas de diferentes religiões até a exaustão. Negociar até o limite intransponivel da razoabilidade. Isto poderá levar ao fundamentalista reconhecer o outro o seu direito de existir e a contribuição que poderá dar para uma conversa franca e proveitosa.

No diálogo deve-se mais enfatizar os pontos comuns de que os pontos divergentes e todos servir a humanidade e aquela chama Sagrada que arde dentro de cada um e que perpassa a história que a dimensão do sagrado com os humanos nos processos revolucionarios.

Estamos em uma encruzilhada da história humana ou criaremos processos para que todos possam viver com a mínima dignidade ou iremos ao encontro pior: A exterminação da espécie. Faz urgente mais sabedoria que poder.

Jesus por exemplo: Louva a fé de um oficial romano. Enche-se de admiração coma fé da pagã sírio-fenícia. Acolhe gentilmente os gregos que queriam falar com ele. Escandalosamente toma um herege, um samaritano como um arquétipo do amor desinteressado ou próximo. Coisas semelhantes  poderíamos citar entre o judaísmo e o islamismo.

Então os povos poderão abraçar-se como irmãos na mesma casa comum, a terra. Então sim erradicaremos como filhas e filhos da alegria e não como condenados ao vale de lágrima. O fundamentalismo não é apenas algo negativo. Quanto mais vamos aos fundamentos do cristianismo, do judaísmo e islamismo mais encontramos a dimensão libertária, o cuidado para com o pobres, a veneração para com a natureza, o respeito para com as pessoas.

Na linguagem dos filhos de Abraão ( judeus, cristãos e muçulmanos), vos digo:

Shalom = Judeus
Salamaleque = Islamitas
Paz e Bem = Cristãos.



Fontes: Pesquisa e artigos de Emerson Maciel, Leonardo Boff, Escritos franciscanos.

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