"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

terça-feira, 23 de novembro de 2010

UM SERGIPANO NA ACADEMIA DE LETRAS DE TEÓFILO OTONI/MG


Por Luciana Novais*
“Sou poeta, mesmo não querendo ser.
Ainda que tentasse oprimir minhas palavras,
elas fluiriam naturalmente em meus atos”. (Emerson Maciel)

O jovem escritor, Emerson Maciel Santos, residente em Laranjeiras/SE, amante das letras desde a infância, é eleito para a Academia de Letras da cidade mineira Teófilo Otoni (ALTO). No dia 11 de Dezembro de 2010 será a cerimônia de posse com a presença de escritores de todo o Brasil, como também do exterior.
A partir das várias poesias que circulam pela internet, como no site pessoal www.emersonmaciel.com.br e pelos jornais, como O Liberal, elas chegaram até o secretário da Academia, Wilson Colares que analisou e avaliou juntamente com a equipe de júri da instituição. Assim o poeta foi indicado a ocupar a vaga dedicada a escritores de outros estados como membro correspondente.
Emerson Maciel é Membro Vitalício da Associação Internacional dos Escritores e Artistas - IWA, considerada a maior associação literária do mundo. Tem pouco mais de 1.310 membros, em mais de 112 países, e se destacam membros-escritores renomados como: Ernesto Sábato, da Argentina, Noan Chomsky, de USA, Fernando Alegría, do Chile, Ariano Suassuna, Fernando Henrique Cardoso, Presidente do Brasil (1994-2002), Frei Betto, Dr. Aécio Neves, Ex-Governador de Minas Gerais, dentre outros. Tornou-se membro por condecoração/convite enviado pela presidente Teresinka Pereira. A IWA tem sede em Toledo, OH, USA.
Em 2009 Foi nomeado Consul do Movimento Poetas Del Mundo por suas iniciativas em prol da cultura. O Movimento Poetas Del Mundo tem sede internacional em Santiago do Chile e sede Nacional Seção Brasil em Campo Grande - MS. Foi também nomeado como Embaixador do Circulo Universal da Paz em Laranjeiras/SE, que tem sede em Genebra-SU. No mesmo ano, numa sessão Solene foi nomeado "Árcade Honorário", pela colaboração ao desenvolvimento da cultura em Sergipe e pela contribuição à edificação da história cultural. Título concedido pela Árcadia Literária do Colégio Atheneu Sergipense, Aracaju/SE.
Em fevereiro de 2010, fundou a primeira Rádio Web de Laranjeiras, a Rádio Brasil Casual www.radiobrasilcasual.com .Como Diretor da Rádio difundiu a marca Brasil Casual para todos os Estados do País. Foi também nomeado Chanceler do Movimento A Plêiade, por seus relevantes serviços prestados à comunidade cultural de Laranjeiras/SE.
Em 17 de Julho de 2010, a Rádio Brasil Casual foi homenageada durante o 3º Encontro de Radialistas e Amigos de Laranjeiras, com presença de todos os profissionais do Rádio AM e FM do Estado, sendo aclamado por todos pela brilhante iniciativa. Atualmente é Colunista-cultural do Jornal ‘O Liberal’. Venceu o 1º concurso de Poesias da FAESCL (2006), é também Membro-fundador do Clube Literário de Laranjeiras.
Diante das atividades culturais e literárias do poeta Emerson Maciel é que percebemos a criação poética desse jovem que está apenas no começo. É possível visualizarmos um percurso promissor dele, bem como para nossa Literatura, que em tempos de pós-modernidade, de identidades movediças, tem, aparentemente, transparecido uma produção literária, especificamente de poemas um pouco escassa. Constatamos uma produção mundial voltada para o sensualismo, o culto ao corpo, sexismo, ecologia, o amor líquido, como afirma Terry Eagleton (2010, p. 101), “O pós-modernismo decola quando já não se trata mais de ter informação sobre o mundo, mas de ter o mundo como informação”. Em meio a esse contexto regido pelo individualismo, consumismo, deparamo-nos com uma poesia capaz de alcançar os anseios mais profundos da alma humana: o desejo de amar e ser amado. É isso mesmo, essa é a temática predominante das poesias de Emerson Maciel, constantemente encontramos um eu lírico que não impõem empecilhos para o amor, para a expressão da subjetividade, dispondo o cerne do indivíduo, do sujeito presente nos poemas, nos contos, crônicas, canções.
“Da janela o poeta observa
Abismado com a vida
Que continua pateticamente bela”. (MACIEL, Roda viva)

Nos versos acima podemos ratificar os pressupostos apresentados sobre o poeta que resgata a função primordial da Literatura que é a humanização da história da humanidade.
Congratulamos o poeta por mais essa conquista, aliás, por esse reconhecimento, assim como a ALTO, porque soube reconhecer o talento daquele que possui extrema sensibilidade para enxergar e sentir o mundo, as pessoas, as situações, a humanidade, a política e principalmente a cultura.
Devemos destacar a eloquente façanha desse admirável poeta, que sabe fazer uso dos modernos meios tecnológicos para divulgar a leitura que faz do mundo que está a sua volta, possibilitando aos amigos, familiares, conhecidos e desconhecidos, degustar de sua sensibilidade para a vida. Sendo assim, mesmo não tendo ainda nenhuma publicação por meio impresso, hoje ele conquista esse espaço na Academia de Letras.
Desejamos que tão logo tenhamos nas livrarias acesso as suas criações literárias e que outras Academias o possam reconhecer.
“Vejo um passado distante.
Canto um presente sadio.
Lembro o futuro com saudade.
Saudade instrumento preferido
De um coração que ama, que sonha,
Que toca baladas e sabe esperar.
Um coração que pensa, sim pensa,
Sente, reclama e vibra
Quando penso na musa dileta”. (Emerson Maciel)

 
*Luciana Novais dos Santos é professora do curso de Letras nas Faculdades Pio Décimo (Aracaju/SE) e José Augusto Vieira (Lagarto/SE), atua na Universidade Federal de Sergipe como professora substituta. Contato: lunovax@hotmail.com

domingo, 14 de novembro de 2010

Um 'Romeu e Julieta'Alternativo


Um romance instigante sobre como um amor 
proibido pode levar a um fim trágico.

O romance Amor de Perdição, do autor português Camilo Castelo Branco (Martin Claret; 160 páginas; 12,90 reais), é um obra prolífica, que desde o primeiro capitulo aguça no leitor o desejo de ler por completo como se por um estralar de dedos. Os dois personagens principais, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque são descendentes de famílias tradicionalmente rivais e, diferentemente da obra do escritor inglês William Shakespeare, o fim trágico não levaria a união de tais famílias.
Simão nos é apresentado como um jovem sanguinário e frio, que não ver graça na vida, senão perto de sua amada Teresa. Um fato que chama atenção é a entrada em cena de dois personagens, do ferrador João da Cruz e de sua filha Mariana.
Há dois contrapostos no romance. O primeiro é o amor escondido de Mariana por Simão Botelho e o outro é o “amor imposto” para Teresa na figura de seu primo, Baltasar Coutinho. Cria-se ai um verdadeiro amor de perdição. Os personagens são remetidos em tragédias banhadas de encontros e desencontros.
O romance traz uma sucessão de acontecimentos que mudam o rumo dos principais personagens em fração de capítulos. Os principais mentores das mudanças são as trocas de cartas entre Teresa e Simão. Visto que com a descoberta do romance por parte das famílias dificultou ainda mais a comunicação direta entre eles.
Ao longo da história se percebe a paixão e a honra, características que marcam os romances portugueses. Em amor de perdição é, em nome da desta honra que Domingo Botelho e Tadeu de Albuquerque proíbem o amor dos filhos.
Uma das virtudes de Amor de Perdição é a presença de um narrador, que a todo tempo, tenta dialogar diretamente com o leitor. Estabelecendo assim um pacto entre o autor e o leitor. Fazendo com este participe de forma ativa dos acontecimentos narrados no romance. É em meio à sucessão de suspense que o desfeche da obra termina como se quisesse pregar uma peça naquilo que o leito imaginava ser.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A Sociedade Mundial da Cegueira

Por: Leonardo Boff*

O poeta Affonso Romano de Sant'Ana e o prêmio Nobel de literatura, o portugues José Saramago, fizeram da cegueira tema para críticas severas à sociedade atual, assentada sobre uma visão reducionista da realidade. Mostraram que há muitos presumidos videntes que são cegos e poucos cegos que são videntes.

Hoje propala-se pomposamente que vivemos sob a sociedade do conhecimento, uma espécie de nova era  das luzes. Efetivamente assim é. Conhecemos cada vez mais sobre cada vez menos. O conhecimento especializado colonizou todas as áreas do saber. O saber de um ano é maior que todo saber acumulado dos últimos 40 mil anos. Se por um lado isso traz inegáveis benefícios, por outro, nos faz ignorantes sobre tantas dimensões, colocando-nos escamas sobre os olhos e assim impedindo-nos de ver a totalidade.

O que está em jogo hoje é a totalidade do destino humano e o futuro da biosfera. Objetivamente estamos pavimentando uma estrada que nos poderá conduzir ao abismo. Por que este fato brutal não está sendo visto pela maioria dos especialistas nem dos chefes de Estado nem da grande mídia que pretende projetar os cenários possíveis do futuro? Simplesmente porque, majoritariamente, se encontram enclausurados em seus saberes específicos nos quais são muito competentes mas que, por isso mesmo, se fazem cegos para os gritantes problemas globais.

Quais dos grandes centros de análise mundial dos anos 60 previram a mudança climática dos anos 90?  Que analistas econômicos com prêmio Nobel, anteviram a crise econômico-financeira que devastou os países centrais em 2008? Todos eram eminentes especialistas no seu campo limitado, mas idiotizados nas questões fundamentais. Geralmente é assim: só vemos o que entendemos. Como os especialistas entendem apenas a mínima parte que estudam, acabam vendo apenas esta mínima parte, ficando cegos para o todo. Mudar este tipo de saber cartesiano desmontaria hábitos científicos consagrados e toda uma visão de mundo.

É ilusória a independência dos territórios da física, da química, da biologia, da mecânica quântica e de outros. Todos os territórios e seus saberes são interdependentes, uma função do todo. Desta percepção nasceu a ciência do sistema Terra. Dela se derivou a teoria  Gaia que não é tema da New Age mas resultado de minuciosa observação científica. Ela oferece a base  para políticas globais de controle do aquecimento da Terra que, para sobreviver, tende a reduzir a biosfera e até o número dos organismos vivos, não excluidos os seres humanos.

Emblemática foi a COP-15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague. Como a maioria na nossa cultura é refém do vezo da atomização dos saberes, o que predominou nos discursos dos chefes de Estado eram interesses parciais: taxas de carbono, níveis de aquecimento, cotas de investimento e outros dados parciais. A questão central era outra: que destino queremos para a totalidade que é a nossa Casa Comum? Que podemos fazer coletivamente para garantir as condições necessárias para Gaia  continuar habitável por nós e por outros seres vivos?

Esses são problemas globais que transcendem nosso paradigma de conhecimento especializado. A vida não cabe numa fórmula, nem o cuidado numa equação de cálculo. Para captar esse todo precisa-se de uma leitura sistêmica junto com a razão cordial e compassiva, pois é esta razão que nos move à ação.

Temos que desenvolver urgentemente a capacidade de somar, de interagir, de religar, de repensar, de refazer o que foi desfeito e de inovar. Esse desafio se dirige a todos os especialistas para que se convençam de que a parte sem o todo não é parte. Da articulação de todos estes cacos de saber, redesenharemos o painel global da realidade a ser comprendida, amada e cuidada. Essa totalidade é o conteúdo principal da consciência planetária, esta sim, a era da luz maior que nos liberta da cegueira que nos aflige.

*Leonardo Boff á autor de A nova era: a consciência planetária, Record (2007)

domingo, 7 de novembro de 2010

Minha Primeira Confissão Luterana


“Não as esconderemos dos nossos filhos, mas falaremos aos nossos descendentes a respeito do poder de Deus, o SENHOR, dos seus feitos poderosos e das coisas maravilhosas que ele fez. O SENHOR deu leis ao povo de Israel e mandamentos aos descendentes de Jacó. Ordenou aos nossos antepassados que ensinassem essas leis aos seus filhos para que os seus descendentes as aprendessem, e eles, por sua vez, as ensinassem aos seus filhos. Assim eles também porão a sua confiança em Deus; não esquecerão o que ele fez e obedecerão sempre aos seus mandamentos. Eles não serão como os seus antepassados, um povo rebelde e desobediente, que nunca foi firme na sua confiança em Deus e não permaneceu fiel a ele. Os homens da tribo de Efraim, armados com arcos e flechas, fugiram no dia da batalha. (Salmo 78.4-9).

Agora é definitivo.

Com o Pastor Ernani, apos a cerimônia
Guardarei o dia de hoje, 07 de novembro, em minha memória e no coração. Por falar em coração, hoje foi o único dia do ano em que me senti sendo amado de verdade. Paróquia lotada de irmãos e visitantes. Nunca vi a Igreja Luterana de Aracaju tão cheia. Glórias a Deus!
Escolhi como tema de minha confissão o texto de Josué 25:15b “eu e a minha família serviremos a Deus, o SENHOR.” E parafraseando afirmei “Eu e minha família/casa serviremos a Deus, o Senhor, por meio de minha profissão de fé à Igreja Luterana.”
Sendo assim, reafirmo meus votos de fé a Deus, prometendo criar meus futuros filhos na doutrina luterana, na doutrina cristã, a doutrina que afirma que nosso único Salvador é Cristo Jesus. Reafirmo que meus filhos não serão consagrados a santos feitos de barro, mas somente ao único Santo que morreu e ressuscitou, O Senhor Jesus.
Jesus sempre será a única aliança entre Deus e minha família. No café da manhã, no almoço e na janta, só invocaremos o nome de Deus, de Jesus e do Espírito Santo para abençoar nossos alimentos.
Jesus nos serviu sobre a cruz e nos serve no Batismo, na Palavra (Bíblia) e na Santa Ceia. A fé da Igreja Luterana em Cristo faz toda diferença entre a vida e a morte.

Eu renuncio aos desejos de meu coração, ao amor carnal, ao vício pela política, para seguir a Cristo somente. Ontem, hoje e Sempre. Amém!