"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

domingo, 14 de novembro de 2010

Um 'Romeu e Julieta'Alternativo


Um romance instigante sobre como um amor 
proibido pode levar a um fim trágico.

O romance Amor de Perdição, do autor português Camilo Castelo Branco (Martin Claret; 160 páginas; 12,90 reais), é um obra prolífica, que desde o primeiro capitulo aguça no leitor o desejo de ler por completo como se por um estralar de dedos. Os dois personagens principais, Simão Botelho e Teresa de Albuquerque são descendentes de famílias tradicionalmente rivais e, diferentemente da obra do escritor inglês William Shakespeare, o fim trágico não levaria a união de tais famílias.
Simão nos é apresentado como um jovem sanguinário e frio, que não ver graça na vida, senão perto de sua amada Teresa. Um fato que chama atenção é a entrada em cena de dois personagens, do ferrador João da Cruz e de sua filha Mariana.
Há dois contrapostos no romance. O primeiro é o amor escondido de Mariana por Simão Botelho e o outro é o “amor imposto” para Teresa na figura de seu primo, Baltasar Coutinho. Cria-se ai um verdadeiro amor de perdição. Os personagens são remetidos em tragédias banhadas de encontros e desencontros.
O romance traz uma sucessão de acontecimentos que mudam o rumo dos principais personagens em fração de capítulos. Os principais mentores das mudanças são as trocas de cartas entre Teresa e Simão. Visto que com a descoberta do romance por parte das famílias dificultou ainda mais a comunicação direta entre eles.
Ao longo da história se percebe a paixão e a honra, características que marcam os romances portugueses. Em amor de perdição é, em nome da desta honra que Domingo Botelho e Tadeu de Albuquerque proíbem o amor dos filhos.
Uma das virtudes de Amor de Perdição é a presença de um narrador, que a todo tempo, tenta dialogar diretamente com o leitor. Estabelecendo assim um pacto entre o autor e o leitor. Fazendo com este participe de forma ativa dos acontecimentos narrados no romance. É em meio à sucessão de suspense que o desfeche da obra termina como se quisesse pregar uma peça naquilo que o leito imaginava ser.

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