"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Emerson Maciel toma posse na Academia de Letras de Teófilo Otoni - MG


Por Luciana Novais*

Emerson Maciel no momento do juramento
Neste mês queremos destacar o brilhantismo do nosso querido poeta Emerson Maciel Santos. Aos onze dias do corrente mês, pudemos participar da cerimônia de posse de membro correspondente do supracitado poeta na ALTO (Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG). Na ocasião estavam sendo empossados outros membros. Como titulares contamos com a presença de Olegário Alfredo da Silva e Marlene Campos Vieira, ocupando as cadeiras 18 e 29, na respectiva ordem. Também como membros correspondentes Vilson Ribeiro (Pavão/MG) e Marcos Aurélio de Freitas Lisboa (Belo Horizonte/MG). A referida academia foi fundada em 20 de Dezembro de 2002, tendo como Patrono Oficial o professor Celso Ferreira da Cunha. Atualmente a academia é presidida por Amenaide Bandeira e Wilson Colares é o secretário Geral. Desde então tem assumido o compromisso em resgatar, divulgar e valorar a arte, literária mais precisamente, naquele território e mantendo correspondência com outras localidades.
Na agradabilíssima noite em Teófilo Otoni, Emerson Maciel faz seu juramento, comprometendo-se com a divulgação da cultura, da poesia, das diversas formas de arte, como tem feito ao longo dos anos. Não temos dúvida da indicação à academia, ser o resultado do que ele tem defendido até hoje. Essa afirmação está presente em seu discurso de posse, quando profere: “Não podemos deixar de sonhar... Não podemos deixar calar a voz de um poeta, o mundo ficaria em silêncio”. Foi instigante para os presentes, saber que Sergipe pode contar com um poeta tão jovem e responsável com esta causa tão nobre, que é a difusão da literatura.
Muitos têm questionado sobre o jovem poeta estar na academia, uma vez que é de praxe, sem preconceitos, não encontrarmos escritores tão jovens. O resultado do poeta laranjeirense de coração, provém das suas iniciativas em divulgar o seu trabalho através da publicação em jornais, participação em eventos sobre poesia, através de outros correspondentes. O que percebemos, muitas vezes, são talentos esquecidos. Homens e mulheres de uma aguçada sensibilidade sendo sufocados por uma sociedade consumista, materialista, mercantilizada que acaba não percebendo a importância e o valor que há nas artes. O resultado disso é a aceitação daqueles que estão presentes nos discursos midiáticos e o esquecimento daqueles que estão mais próximos do discurso humanizante.
Hoje temos conhecimento de muitos poetas, prosadores, artistas plásticos dos séculos passados que não tiveram suas obras difundidas, consequentemente foram esquecidos pela sociedade, quiçá pela família e amigos. Hoje, começam a ser estudados graças a projetos de pesquisa, como é o caso do Grupo de Estudos da Literatura e da cultura, liderado pelos professores Ana Maria Leal Cardoso e Carlos Magno Santos Gomes, ambos atuam na UFS. Tem como objetivo o resgate de memórias dos autores sergipanos presentes em romances que não são divulgados, conhecidos na região.
Muitos são os motivos para não publicação e veiculação das obras de artistas inovadores, mas precisamos reconhecer o mérito daqueles que tem se destacado no meio literário, tem sido indicados para as academias. Por isso queremos parabenizar o poeta Emerson Maciel, pelo seu brilhantismo, por nunca desistir da literatura, da poesia, por ele não ter silenciado a poesia que habita o seu ser. Parabéns poeta por mais esse lugar conquistado, uma vez em uma Academia és imortal para a história da Literatura.
Humanitas, por Emerson Maciel,
...As pessoas esquecem o que você fez, mas sempre lembram a maneira a qual você as tratou ... cuide bem, trate bem, e teremos um mundo mais humano.



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* Luciana Novais dos Santos é professora Mestre em Literatura (UFAL), professora das faculdades Pio Décimo e FJAV (Lagarto) e Substituta da UFS.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Discurso de Posse do Poeta Emerson Maciel na ALTO


Emerson Maciel no momento do juramento.
Devo reconhecer que Deus concedeu-me o dom da oratória, mas falar em momentos especiais é um tanto quanto complicado, porque podemos deixar de inserir algo que julgamos necessário. Coube-me preparar um discurso digno e análogo à noite de hoje.

Recorro à sabedoria de Santo Agostinho “Sedis animi est in memoria”, isto é, “a sede da alma está na memória”.
Permitam-me começar saudando e agradecendo aos acadêmicos, confrades da ALTO - Academia de Letras de Teófilo Otoni. A sede que sentia na alma foi substituída pela emoção da memória. Permito-me agradecer a todos na pessoa do Acadêmico Wilson Colares – Expresso aqui meu respeito e admiração no que há de sublime, imponderável e indizível neste amor pelas letras.
O que esta solenidade representa é muito importante para todos, mas principalmente para mim, que aqui, represento a terra do maior intelectual sergipano, o ilustre João Ribeiro, natural de Laranjeiras e patrono da cadeira número 1 da Academia Sergipana de Letras.
Ao mesmo tempo em que agradeço a Deus dedico esta conquista aos meus pais José e Marivalda que junto com minha irmã Crislene me ensinaram a sabedoria de ignorar o que não leva a nada e o desejo de saber sempre.
À querida professora Luciana Novais, que aqui está presente, pelo carinho, pela força, pelas renúncias vindouras, pela luta e pelas palavras tão espontâneas, que muito me engrandecem.
À amiga Luciana Celi, Edla Aragão, Adel Ítalo, Carlos Conrado, Joselito Franco, Maria Clara, Claudomir Tavares da Tribuna da Praia, Marcos Soares, Douglas Magalhães em conjunto com a equipe do site do Bareta e a todos que contribuíram com minha vinda a Teófilo Otoni.
Querida amiga ProfªAmenaide Bandeira, Presidente da Academia de Letras de Teófilo Otoni, entendo que uma solenidade de posse marca tanto o fim de um ciclo como o começo de uma nova perspectiva. Vendo por este sentido, é uma forma de despedida que, com a atitude adequada, fica sendo uma porta entre dois mundos: o que foi e o que virá. Refiro-me a despedida do mundo da mortalidade, pois estou ciente, que de agora em diante, ao término deste meu discurso já serei um imortal desta prolífica Academia de Letras.
Quanto ao futuro, não nos apressemos. Não nos apressemos nunca, pois é no futuro que passaremos o resto de nossas vidas. Olhemos então com o olhar aquilino, assim visualizemos o futuro, cantemos poesia, sonhemos com um mundo mais florido, mais igualitário e mais poético. Ter um sonho faz toda a diferença!
A poesia ao longo dos tempos tem se apagado, as pessoas esquecem o real valor desta perspectiva de luta social. Mas nós poetas, imortais, comprometidos com o bem e com o social, nunca poderemos deixar de sonhar, não podemos deixar calar a voz de um poeta, o mundo ficaria em silêncio!
No dia em que todas as crianças pobres deste país esquecerem o pão que os homens roubaram, aí sim, eu deixarei de escrever poesia.
No dia que todas as crianças pobres do Brasil tiverem um teto para morar, aí sim, deixarei de escrever poesias.
Enquanto isso, não desanimemos, sigamos firmes em nosso propósito de propagar os problemas sociais, o amor, a justiça social para o mundo.

Eu sei meus amigos que a caminhada é longa, mas para chegar lá temos que dar os primeiros passos.
Eu sei meus amigos que não hei de participar da colheita, faço questão de estar ao lado de que lança ainda que em terra seca, ainda que em terra árida, as sementes de um futuro melhor para nossa juventude.

Quero aqui quebrar o protocolo e recitar uma poesia social de nossa autoria, chamada RODA VIVA.     

(Recita o poema)

Esse poema deixa claro que a nossa maior arma é à escrita. Mas não nos esqueçamos de buscar inspiração em Deus. Só há justiça onde Deus está presente. Que o Deus nos abençoe e continue nos orientando ontem, hoje e sempre. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Aniversário: ¼ de um Século


Eu fui mais além...
Adiantei meu futuro
Até onde parecia
Ser improvável chegar.

Eu já sonhei, e como sonhei...
Acordei achando que sonhava,
Sonhei achando que vivia.
Eu fui mais além...

Fotografei o futuro
Temendo não vivê-lo
revelei uma fotografia
Notando a falta de zelo.

Eu sem preconceito
Febril e sem cor...
Gritando e implorando
Ser feliz no amor.

Eu que nunca vi
Tantos choros risonhos,
Afoguei minhas mágoas
Ao longo destes 25 anos.

Eu sem coração
Fui mais além...
Mergulhei nas ondas
Chegando ao aquém.

Eu com coração
Fiquei aquém,
Mergulhei na poesia
chegando mais além.

Na fotografia da vida
Sou a mais diferente cor...
Colhi só ¼ de um século,
Mas já estive aqui...

Emerson Maciel
06.12.2010
00h59minh.