"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

sábado, 22 de janeiro de 2011

Emerson Maciel Entrevista Chiko Queiroga e Antônio Rogério



A Rádio Brasil Casual em parceria com o Jornal O Liberal de Laranjeiras esteve cobrindo o XXXVI Encontro Cultural de Laranjeiras. E mais uma vez Emerson Maciel, auxiliado pela professora Luciana Novais, foi recebido, pela dupla sergipana Chiko Queiroga e Antônio Rogério. Em um bate papo descontraído, a dupla mais uma vez focou a cidade de Laranjeiras como um poço de cultura. Leia os principais trechos da entrevista:

Emerson Maciel: Mais um show em Laranjeiras, Chiko Queiroga, sensação de dever cumprido?

Chiko Queiroga: Sim, sempre feliz em contar com esse público aqui de Laranjeiras, que é um público fantástico, não deixa a gente não mão, canta junto com a gente, por isso que a gente tem sempre essa inspiração de compor falando sobre as coisas daqui que é um povo que compreende. É incrível, uma cidade tão humilde como Laranjeiras, mas tão rica culturalmente, tem um público assim de uma forma totalmente natural, tem intenção de querer dividir os estilos de músicas, varia um pouco, como MPB é muito difícil em Aracaju, e o público de Laranjeiras sabe dividir isso, gosta do axé, gosta do arrocha, gosta de todo estilo de música, mas não esquece nunca o estilo MPB que muitos artistas tem abandonado muito aqui em Sergipe, por conta desse movimento que vem de fora, mas Laranjeiras, sempre fiel a esse estilo de música, e é por isso que a gente está aqui, Jorge Versilo  está aqui, porque Laranjeiras merece ter um espetáculo como esse e a gente sempre feliz por participar desse momento mágico.

Emerson Maciel: Antônio Rogério, ano passado, eu perguntei para o Chiko, de onde veio à inspiração para escrever mestiça, ele enrolou e não respondeu, afinal, Antônio Rogério, quem é essa mestiça?

Antônio Rogério: Tina Peppy (risos). Na verdade a mestiça não é a mestiça, são as mestiças, na verdade é a grande realidade da mulher negra sergipana, da mulher negra brasileira, da mulher negra laranjeirense, enfim a mestiça ela é essa beleza que o Brasil tem de africanidade da mulher brasileira e que a África deixou. Mas sinceramente, profundamente vou responder quem é a mestiça, a mestiça é a Tina Peppy mesmo (risos).

Emerson Maciel: Há mais de 12 anos juntos qual método que vocês utilizam para continuar essa amizade tranquila e sadia?

Chiko Queiroga: Cada um ficar na sua casa e se encontrar apenas na hora no show (risos).

Luciana Novais: Quero saber qual foi a experiência mais marcante com Laranjeiras, com esse patrimônio humano? 

Chiko Queiroga: São tantas emoções, como diria Roberto Carlos, não tem como dizer assim, mas acho que o momento mais importante é o momento em que a gente consegue se inspirar para compor sobre Laranjeiras. Eu conhecia Laranjeiras, andava por aqui, achava lindo, mas o que a gente fica mais feliz é receber uma energia daqui, a energia da Mussuca, da própria cidade histórica que nos trazer a inspiração para compor essas músicas que a gente fez sobre Laranjeiras. Acho que esse é o momento mais maravilhoso. Claro que a gente já fez vários shows, mas esse momento que está ligado com Laranjeiras e firmar uma parceria com o público é o momento mais gostoso esse.

Emerson Maciel: Conversando sobre música nordestina com um amigo de São Vicente – SP, o mesmo citou o nome da dupla sergipana Chiko Queiroga e Antônio Rogério com umas das melhores do nordeste, pois assistiu vocês em uma TV local, aí se percebe a importância de nossa musicalidade, como você recebe isso Antônio?

Antônio Rogério: Na verdade ele deve ter visto a gente em um dos programas da TV Cultura. (...) Mas assim, essa questão do reconhecimento do pessoal fora daqui de Sergipe é uma experiência que temos muito especial, Sergipe ainda não acordou, o povo sergipano, falo assim, com exceção daquele público que acompanha a gente a algum tempo, mas o povo sergipano que tem sido levado durante alguns anos, pela mídia, a grande massa, pela televisão, pelas rádio daqui que só tocam músicas baianas, e músicas de outros lugares, acabam não atinando para os valores que nós temos, não só Chiko Queiroga e Antônio Rogério, nós temos tantos outros, como Patrícia, a própria Amorosa, enfim, e o público ainda não acordou para isso, mas o importante é que a gente consegue mostrar isso lá fora, e as pessoas de maneira rápida, percebem o talento que os artistas sergipanos têm, nós temos a experiência do projeto Pixinguinha, que fizemos junto com Nelson Sargento, Arismar Espírito Santos, e outros artistas a nível nacional, nós fizemos, o centro-oeste, sudeste, norte, Goiânia, Rio Branco, Montes Claros, Rio de Janeiro, o interessante é que a nossa diretora, ela foi diretora de Milton Nascimento e tantos outros artistas, ela via a gente cantando, no ensaio, e ela assim, não gostou muito do nosso repertório, da forma de como a gente cantou, mas aí ela acabou concordando, dizendo até que poderíamos cantar outras composições, ela queria que a gente cantasse músicas de outros compositores, pelo fato de a gente não ser conhecido nacionalmente ainda como os outros eram. Nós chegamos a Montes Claros, nós fomos os melhores artistas do primeiro show do projeto Pixinguinha e ela foi ao camarim pedir desculpas a gente, então veja a percepção do público, porque de repente ela não captou ali a energia, mas na hora que ela viu a gente no show, ela foi lá e sentiu que o público se interagiu com a gente, aí foi que percebemos que o nosso trabalho seria possível e que basta o público sergipano acordar para os artistas locais e seus talentos e isso e que é legal, porque lá fora o pessoal já está fazendo isso.

Emerson Maciel: Chiko, projeto para 2011?

Chiko Queiroga: A gente está agora com o DVD e com o CD novo e estamos novamente com viagem marcada para Nova Orleans com pretensão de lá já embarcar para a Suíça, Europa, e tentar de alguma forma fazer alguns programas nacionais, tipo, Jô Soares, Faustão ainda não, mas Jô Soares, o Altas Horas e outros programas em São Paulo, esse é o nosso projeto para 2011. Está na hora de a gente também sair um pouco de Aracaju, de Sergipe e tentar conquistar outro público aqui no Brasil. São Paulo e o Rio de Janeiro ainda não conhecem nosso trabalho, a região sul ainda não conhece a gente, e está na hora de a gente projetar todas essas perspectivas, para que a gente consiga conquistar outro público e que o trabalho de Sergipe seja mais reconhecido de uma forma mais particular, porque é difícil, porque Sergipe não surgiu ninguém ainda que mostre trabalho que seja relacionado aqui, tem algumas bandas de forró, mas é difícil, não fica marcado no cenário musical brasileiro, aqui antigamente tinha um movimento musical muito forte, mas está morrendo por conta de alguns movimentos, mas Sergipe não merece isto, nós somos muito insistentes e vamos carregar essa bandeira para mostrar que Sergipe tem bons compositores e algo de bom para mostrar para o Brasil, e é isto que a gente esperar, a gente não quer sair daqui, quer continuar morando aqui, a gente sabe que é possível fazer sucesso a nível nacional, mesmo morando aqui, sem necessidade de ir para São Paulo ou Rio de Janeiro.

Emerson Maciel: Quero até fazer um relato pessoal. Em dezembro foi empossado membro da Academia de Letras de Teófilo Otoni – MG, e por aqui ainda nada consegui nada ainda. Mas sem querer abusar muito da voz de vocês, o refrão, da música que Luciana Novais se apaixonou que é a música de D. Nadi.

Chiko e Rogério: (cantarolando) Menina de Laranjeiras, o meu desejo é de ter por inteira, os seus laços, poder contemplar, sua beleza (...). Essa menina faceira, quando passa a Mussuca incendeia, com a beleza de seu sapatear, me excita esse teu gingado, ó Nadi continuo encantado por você. Vamos sambar de pareia, vamos sambar de pareia, vamos sambar de pareia, vamos sambar de pareia, menina sapateia. 


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