"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Emerson Maciel entrevista o poeta Koka


Emerson Maciel e o Poeta Koka
O escritor laranjeirense Joselito de Jesus Franco, mais conhecido pelo apelido de “Koka”, lançou o seu primeiro livro no dia 07 de janeiro de 2011, na UFS – Campus Laranjeiras-SE, durante as festividades do XXXVI Encontro Cultural. O livro intitulado “Flores e Versos”, é composto de por 52 trovas dedicadas a várias espécies de flores e uma poesia dedicada a uma flor mulher chamada Carmozita (tia do Poeta).

O lançamento foi prestigiado pela população e por vários estudiosos da cultura popular de Sergipe e de outros estados que participaram do Simpósio no local. O Programa Papo Casual da Rádio Brasil Casual (www.radiobrasilcasual.com), comandado por Emerson Maciel, esteve presente e realizou a seguinte entrevista com o Poeta:

Emerson Maciel: Koka, de onde veio à inspiração para escrever o livro Flores e Versos?

Koka: Esse livro é que eu gosto mesmo de flores e andei observando por aí, colhendo algum tema, que eu pudesse trabalhar em cima e resolvi trabalhar com flores. Coisa que admiro muito, a fragrância de cada uma e toda sua delicadeza.

EM: Nota-se que é um livro bem escrito e são trovas, mas você conclui o livro com uma poesia intitulada “Carmozita”. De onde veio a inspiração?

Koka: A inspiração Carmozita foi de minha tia, a única irmã viva de meu pai, se foi meu pai e os irmãos e só sobrou ela. Ela gosta muito de jardins é tanto que no fundo do quintal dela tem um jardim enorme, acho que uns 50 metros, 50x15mm, é muito grande, o quintal inteiro florido, cheio de flores que ela gosta, então eu me inspirei, porque ela é uma pessoa muito boa, e fiz uma comparação, comparação não, eu inventei a flor Carmozita, foi por esse motivo.

EM: O pessoal confunde muito ao dizer que você escreve por causa de seu, pai mas nós que somos poetas entendemos que ninguém aprende a escrever poesia, a pessoa já nasce poeta. Como você tem encarado esse rótulo?

Koka: A gente tem que aprender a lhe dar com vários tipos de pessoas, eu, no meu caso, como comecei a escreve em 87, eu ainda era ainda menino, tinha meus 14 ou 15 anos quase, vivia sempre lendo as coisas de meu pai, que ele gostava de escrever na folha pautada e pregar na parede com aquelas tachinhas, na parede de madeira do “barraquinho” dele que ele consertava sapatos. Então eu lendo procurei me aprimorar com meu amigo Eno Teodoro Wanke um paranaense que morava no Rio de Janeiro, que trabalhava na Petrobras, muito bom escritor, infelizmente o Brasil perdeu em 2001 essa pessoa, então inspirado nas obras de meu pai e de Eno que sempre mandava metrificação, exercícios de metrificação eu aprendi muito mais. Então lhe dar com esse tipo de comentário eu sei que é muito difícil, mas é como você diz, a gente já nasce com o  dom, é tanto que eu tenho mais 5 irmãos e nenhum deles encararam, nenhum deles entraram o mundo literário.

EM: Em cada trova você cita uma flor, mas tocando no nome do grande Poeta João Sapateiro, qual trova do poeta que você mais gosta?

Koka: Meu pai tem uma trova muito famosa que é: “Quem não trabalha não come/é conversa muito falha/porque só vemos com fome/o povo que mais trabalha.” E tem outra: “A balança da justiça/ merece ser confiscada/ de quem tem muito dinheiro/ não pesa culpa formada.” Meu pai era um crítico, vivia o momento, é tanto que ele gostava de colar as datas para lembrar em que ano foi aquele acontecimento, muitos universitários hoje, há dois anos, eu fui fazer o livro dele juntamente com Daniele Virginie, uma estudiosa também do folclore, uma pessoa que trabalhou na Prefeitura de Laranjeiras e que me ajudou muito no livro Mensagens, muita gente diz que é errado colocar a data, mas meu pai sempre achou certo que era para guardar o momento, ele guardava os momentos da época de Getúlio, ele já fez trovas relacionadas com Lourival Batista. Ele fazia muitas críticas e gostava de saber em que momento ele usou aquilo.

EM: Para concluir Koka, peço que recite a poesia A flor da Dignidade qual você dedica a sua tia Carmozita:

Koka: A flor da Dignidade

Carmozita, flor bonita,
Encanto do meu jardim.
O amor em ti habita,
Tu és ternura sem fim!

O mundo seria triste,
Repleto de crueldade.
Se não fosse Carmozita,
A flor da dignidade!

Só sabe o que é amor,
Bondade e gentileza.
Quem conhece esta flor,
Presente da natureza.

Sou feliz em conhecer
Esta flor tão magistral.
Que perfuma e dá mais vida
Ao jardim celestial.

EM: Esse é Joselito Franco, O Koka. Programa Papo Casual da Rádio Brasil Casual. Muito obrigado Koka e que Deus te proteja sempre.

Koka: Eu quem agradeço. A nossa cultura precisa muito de pessoas iguais ao Emerson Maciel, um laranjeirese que infelizmente até o momento eu me admiro de não ter o reconhecimento que merece na sua cidade. Foi ter o reconhecimento em Teófilo Otoni, uma cidade de Minhas Gerais, mas Deus está aí por nós, enquanto existir a poesia, a cultura e o amor que a gente tem pela nossa arte, a gente vai estar lutando aí para conseguir chegar ao lugar que merecemos, mesmo nadando contra corrente, esse fantasma que abala a nossa cultura, não vai conseguir nos afogar.

Nenhum comentário: