"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O exemplo de Lutero

Em 1514, o monge agostiniano Martin Lutero (1483-1546) era professor de teologia moral da Universidade e padre da igreja de Wittenberg. Por esta época, ele convivia com a incerteza acerca da sua salvação, que tanto buscava. Preparando suas aulas, deparou-se com a afirmativa de Paulo, em Romanos 1.17, de que o homem é justificado pela fé. Para ele, foi o que ele mesmo chamaou de "a descoberta do evangelho", descoberta que mudou a história do Cristianismo.

Já com esta convicção, ele observou, no seu trabalho pastoral, que o povo, em lugar de comparecer à igreja, ia a cidades vizinhas (como Jüterbog ou Zerbst) para comprar indulgências, pelas quais tinham perdoados os seus pecados sem necessidade de confissão (isto é, de arrependimento). Um dos vendedores de indulgência na região, o comissário papal Johann Tetzel (1465-1519), fazia suas ofertas de modo muito ostensivo, dizendo (segundo consta) que "quando o dinheiro tilinta na caixa, as almas dão um pulo para o céu".

A prática deixou Lutero repugnado e ele passou a pregar contra o comércio de indulgências. Ele escreveu então 95 teses (frases) para servir de debate sobre o tema. Entre elas, podemos destacar três, por sua contemporaneidade:
. "Erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa". (21ª Tese)
. "Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da  pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem carta de indulgência". (36ª  Tese)
. "Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e, a despeito disto, gasta dinheiro com indulgências não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus". (45ª  Tese)..

No dia 31 de outubro de 1517, Lutero enviou cartas a alguns bispos e amigos, com transcrição das teses, sem imaginar a reação que se seguiria. As teses foram impressas pouco depois por diferentes pessoas em diferentes cidades. Tetzel protestou e acusou Lutero de ser um herege, seguidor de Jan Hus, ameaçando-o queimar numa fogueira. Alguns bispos aplaudiram Lutero.

Em seguida, Roma abriu uma inquisição (inquérito) contra ele (1518). Atacado, Lutero se pôs a trabalhar, desenvolvendo uma teologia autônoma, na qual começava a afirmar os postulados fundamentais do que seria a Reforma Protestantes, ausentes nas suas 95 Teses.  Seus primeiros livros ("Mensagem à Nobreza Cristã da Nação Alemã", "O Cativeiro Babilônico [da Igreja Católica]" e "A Liberdade do Cristão"), escritos sob forte emoção, rompiam com Roma, que ameaçou excomungá-lo se não se retratasse. A resposta de Lutero foi queimar em público a bula  ("Exurge Domine") que o ameaçava. O papa o excomungou pouco depois.

Para tentar acalmar os ânimos, uma dieta imperial foi convocada por pressão de principies (governadores) que não o apoiavam). Lutero foi convocado pelo Imperador da Alemanha. Apoiado por outros príncipes, que tinha interesses políticos, Lutero compareceu à reunião, realizada em Worms, onde chegou aplaudido pelo povo. No caminho, pregou em várias cidades.

Por duas vezes, ele compareceu diante do Imperador Carlos V. Seus livros foram colocados sobre a mesa. Ele foi perguntado se os livros eram seus e se se retratava de algo ali contido. Lutero pediu tempo para responder e no dia seguinte ele voltou com a seguinte resposta: "A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém".



Fonte: http://www.prazerdapalavra.com.br

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