"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O MAR DE MINHA ADOLESCÊNCIA

Quando o mar de minha adolescência secar,
Já não serei tão adulto,
Gozarei de minha infância interior.
Já não medirei palavras,
Nem julgarei opiniões alheias,
Descansarei na dor exterior.

Quando o mar de minha infância secar,
Já não morrerei um dia com o pôr do sol,
Serei idoso demais, querendo ser adulto.
Já não meditarei em meu bojo,
Nem desafiarei meu destino
Seremos sempre intimamente (ex) amigos.

EMERSON MACIEL
Laranjeiras - SE

terça-feira, 19 de abril de 2011

ÉDUCASSÃO? OU EDUCAÇÃO



Recebi esse magnífico e-mail, porém sem fonte. Por se tratar de algo real, reproduzo aqui na esperança de que algo melhore em nossa Educação.

A Evolução da Educação:

Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia.. Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas.

Leiam o relato de uma Professora de Matemática: 

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.

Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.

Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980: 

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?


4. Ensino de matemática em 1990:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00


5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
(  )SIM (  ) NÃO


6. Ensino de matemática em 2009: 

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00


7. Em 2010 vai ser assim: 

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder).
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00


  E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.

- Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:

“Todo mundo está 'pensando'
em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará'
 em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

domingo, 17 de abril de 2011

Mensagem de Quaresma

Neste vídeo, o Pastor Roberto Kunzendorff Jr. nos convida a pensarmos mais sobre a Quaresma e o projeto de Deus para nossas vidas.

Foi por amor!

Louvor cantado pelo pastor Roberto Kunzendorff Júnior em Vitória-ES, na Convenção Nacional de Pastores e Líderes da Igreja Evangélica do Brasil - IELB.

Me Refez

Me Refez, na voz marcante de Paulo Brum. Louvor escrito pelo pastor Roberto Kunzendorff Júnior (da Igreja Luterana), por direção do Senhor, gravado no dvd Planeta Gospel, Porto Alegre-RS.

A entrada humilde de Jesus em Jerusalém


“Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia” (Mt 21, 11).

Domingo de Ramos marca o início daSemana Santa. O Messias prometido chega a Jerusalém para se entregar às mãos daqueles que vão tirar a sua vida neste mundo. Jesus chega à cidade que mata os profetas enviados por Deus para o anúncio da Boa Nova e denúncia das injustiças (cf. Mt 23, 37). Ele não foge de sua missão, apesar das tentações sofridas. Sobe ao centro religioso e político de seu tempo para realizar, plenamente, a vontade de Deus: “dar a sua vida como resgate em favor de muitos" (Mt 20, 28).

“Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens” (Fl 2, 6 – 7). Cremos e professamos que Jesus é Deus. Portanto, estas palavras do apóstolo Paulo falam da maneira como Deus quis viver no mundo: humilde, servidor e igual aos demais seres humanos.

Esvaziou-se a si mesmo

O ser humano tem a tendência de procurar a grandeza e orientar a vida segundo o espírito de grandeza. Ninguém aceita ser pequeno, todo mundo quer ser visto, valorizado, tratado como importante aos olhos do mundo. Jesus, pelo contrário, assumiu a sua missão a partir da pequenez da condição humana, esvaziando-se a si mesmo. Ele viveu a experiência do total desapego de si mesmo, das coisas e de todas as pessoas; foi um ser humano plenamente livre.

A procura da grandeza nos tira a paz e nos enche de ambições desmedidas. É aqui que surgem os variados problemas de ordem material e psicológica que afetam as pessoas. Estas querem viver cada vez mais cheias de si mesmas, apegadas e, conseqüentemente, escravas de si e de suas comodidades. E como todos não conseguem ter aquilo que desejam, a frustração passa a fazer parte da vida de muitos. Jesus precisava ser livre para fazer a vontade do Pai.

Assumindo a condição de escravo

As pessoas esperavam um Messias glorioso e poderoso, frustraram-se. De repente, aparece um homem montado num jumentinho sendo aclamado pelo povo (cf. Mt 11, 1 – 11). Que decepção! O que pode fazer um Messias montado num jumento?! A quem poderá libertar com toda esta fraqueza?!... Era a pergunta que os judeus faziam a si mesmos e uns aos outros. A cidade se agita e todos procuram saber quem é o jovem que está sendo aclamado pelas multidões.

Toda a vida de Jesus descrita nos evangelhos é uma prova clara da sua opção fundamental: o Reino de Deus inaugurado a partir dos oprimidos. Jesus optou pelo serviço até o derramamento do próprio sangue (cf. Mc 10, 45). Durante a última ceia, lavou os pés dos discípulos ensinando-os a fazer o mesmo, ou seja, servir uns aos outros (cf. Jo 13, 1 – 10). Jesus trabalhou e trabalha muito no serviço da libertação dos oprimidos deste mundo. Digo trabalha no presente do indicativo porque ele é o Emanuel, Deus conosco, presente na luta cotidiana dos empobrecidos.

Vivemos numa sociedade de aproveitadores e oportunistas. As pessoas querem tirar vantagem em tudo, não aceitam perder nada. Estão contaminadas pelo vírus do lucro a todo custo. São poucas as que vivem a experiência da gratuidade, que se manifesta na verdadeira caridade para com o próximo. Na Igreja, infelizmente, cresce o número de mercenários e diminui o número de autênticos pastores. Na consagração e na ordenação juram que vão servir, quando são enviados em missão nas comunidades exigem ser servidos. Não são todos, mas é muita gente!

Tornando-se igual aos homens

Jesus foi “provado como nós, em todas as coisas, menos no pecado” (Hb 4, 15). Jesus é a Palavra de Deus que se fez carne e habitou entre nós (cf. Jo 1, 14). Ele vivia entre os pecadores, desprezados e odiados pelos religiosos de seu tempo (Mc 2, 13 – 17). As autoridades judaicas, tanto religiosas quanto civis, não aceitavam ver o Messias acolhendo, compreendendo, curando, consolando e perdoando os pecadores públicos.

Aqueles que são considerados pecadores públicos continuam sendo caluniados e rejeitados pelas autoridades religiosas e civis de nossos dias. Certo dia, escutei de um padre as seguintes palavras referindo-se a um jovem ladrão: “Esse tipo de gente não tem jeito, só serve para morrer. Situações como esta só se resolve na bala!” Muita gente quer resolver o problema da violência através do extermínio da juventude. Até muitos “religiosos” pensam assim!

Homossexuais, prostitutas, beberrões, ladrões, adúlteros e tantos outros pecadores são considerados pessoas indignas de viver em sociedade. Não é pequeno o número de pessoas, praticantes da religião em sua maioria, que pensam no extermínio imediato de tais pecadores. Geralmente, isto acontece por dois motivos: primeiro, porque tais pessoas se julgam justas por causa de suas práticas religiosas; segundo, porque estas práticas religiosas não as convenceram de que o mandamento maior é o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Quando se afirma que Jesus foi igual aos homens significa dizer que ele, em nenhum momento, condenou as pessoas. Esta não era a sua missão (cf. Jo 3, 17). A condenação do próximo impede a vivência da fraternidade. Jesus assumiu a condição humana porque quis ser nosso Irmão, e se quisermos fazer o mesmo precisamos aprender a não julgar o próximo. Toda forma de condenação do próximo é incompatível com o espírito fraterno. A vivência deste espírito pressupõe as experiências constantes da compreensão e da misericórdia para com o outro.

Jesus, profeta dos oprimidos

“De Nazaré pode sair coisa boa?” (Jo 1, 46), perguntou Natanael ao saber que Jesus era de Nazaré. Isto nos indica que o lugar de onde veio Jesus não era bem afamado. Deus quis que Jesus nascesse, vivesse e morresse entre os últimos da sociedade. Ele é o rei montado num jumentinho, que veio servir os empobrecidos e inaugurar o Reino. Seu serviço e comprometimento com o Reino de seu Pai o levaram à morte de cruz. Juntamente com os últimos, Jesus morre crucificado, mas o Pai o ressuscitará no terceiro dia confirmando, assim, a esperança dos oprimidos. Estes participam da vitória de Jesus, pois esta é a vontade de Deus.

Celebrar a Semana Santa é entrar em comunhão com a experiência de cruz vivida pelo povo de Deus; do contrário, tudo não passará de celebrações rituais sem vida e, portanto, sem sentido. A paixão e morte de Jesus são vividas no cotidiano das vítimas das variadas injustiças que são praticadas em nossos dias. A missão do cristão é viver a fraternidade para com estas vítimas, a fim de que a esperança se mantenha viva. A mesma coisa se pode dizer em relação à missão da Igreja.

Por: Tiago de França
Fonte: Teologia e Libertação