"O que importa a surdez dos ouvidos quando a mente escuta? A única surdez verdadeira, a surdez incurável, é a surdez da mente". - Victor Hugo

sábado, 21 de janeiro de 2012

AS PRÁTICAS DE ENSINO DE LIBRAS E LÍNGUA PORTUGUESA: DESAFIOS EDUCACIONAIS.

Por: ¹Viviane Araújo da Silva
 
Os surdos estão conseguindo melhorias no seu convívio social e a educação encontra-se num processo de adaptação para aprimorar-se, em muitos casos, no que diz respeito à inclusão dos surdos em classes regulares de ensino. As escolas ainda não têm profissionais capacitados a receber esse público, mas há uma procura por pessoas que estejam aptas a realizarem esse trabalho.

Provavelmente, essa falta de profissionais não perdurará muito tempo, pois é uma área já bastante procurada por educadores e o ensino superior já abriu as portas para capacitar os cidadãos que querem ingressar nessa área, ofertando cursos de graduação em Libras. O Ministério da Educação já aderiu a esse modelo educacional inclusivo, e continuando nessas perspectivas educativas que atualmente são vistas, provavelmente acontecerá melhorias na educação da pessoa com surdez.
 
Noções preliminares sobre a Língua Brasileira de Sinais

Em 24 de abril de 2002, foi aprovada a lei federal nº 10.436, que reconhece a Língua brasileira de Sinais como língua oficializada aos surdos brasileiros. Uma conquista fundamental, pois o fato de tornar essa língua oficial possibilita um avanço no processo de comunicação das comunidades surdas, como já está sendo desenvolvido em todo país.
Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados. (BRASIL, lei 10.436, de 24 de abr. 2002).
A Língua Brasileira de Sinais é uma língua natural das comunidades surdas brasileiras, mas ao contrário do que algumas pessoas acham, ela não é um conjunto de sinais soltos ou mímicos, pois possui estrutura gramatical própria e, como os outros dialetos de sinais, não é universal. Ela se diferencia das outras, principalmente, por ter a modalidade visual-espacial, que, segundo Quadros (2011), “se realiza no espaço com articuladores visuais: as mãos, o corpo, os movimentos e o espaço de sinalização”  .

Os sinais são como as palavras e consistem na combinação da forma e movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço. Como as outras línguas, Libras também possui expressões, os gestos, que se modificam de região para região, sendo estes mais quesitos para legitimá-la.

A Libras se baseia nos seguintes critérios que formam os sinais: configuração das mãos, ponto de articulação, movimento, expressão facial ou corporal e orientação ou direção. Esses parâmetros formam um conjunto essencial na construção da comunicação com os surdos, pois, para uma língua que conta como sentido principal a visão, faz-se necessário o uso dessas articulações físicas. Conforme Capovilla, “Língua de Sinais é o verdadeiro equipamento da vida mental do Surdo; ele pensa e se comunica apenas por este meio” (2006, p. 1479). 
 
QUADROS, 2011. Disponível em: http://www.ronice.cce.prof.ufsc.br/index_arquivos/Page568.htm
 
Aquisição de Libras como a primeira língua e o ensino de Língua Portuguesa como ensino de línguas para surdos.

A educação bilíngue tem como ideia fundamental que o surdo tenha como materna a língua gestual e, como segunda, a língua oficial do país. A importância da Libras no contexto educacional e sua aceitação como língua tão completa quanto a Portuguesa, é um fator essencial na comunicação com os surdos, partindo tanto dos professores como também dos alunos ouvintes.

Outro fator é ter a presença de docentes bilíngues, pois a ideia é que os alunos surdos aprendam Libras em fase escolar primária e, ao inserir-se nas turmas regulares, eles aprendam Língua Portuguesa assim como os ouvintes. Nesse caso, fica evidente que deve haver professores que saibam e dominem Libras e Português.

Sabe-se que essa prática não vem acontecendo, talvez por falta de profissionais capacitados para realizarem esse trabalho, mas há casos que as técnicas se diferem.No entanto, existem infelizmente situações ainda piores, quando a escola não possui estrutura ou recursos humanos para o aluno surdo ter direito à educação. É a realidade educacional atualmente. Mas, ela deve ser reorganizada e os surdos precisam de profissionais que possam transmitir conhecimentos. É fato ser necessário o professor de turma inclusiva ter maior cautela para desempenhar um trabalho respeitando as diferenças.

Existem ainda detalhes que visam melhorar o ensino como não falar de costas, utilizar vocabulário simples, fazer muito uso de imagens e tentar ter uma boa desenvoltura na comunicação, tendo em vista que todos compreendam inclusive os não ouvintes.

O investimento em profissionais intérpretes de Libras também é um aspecto importante. Dessa forma, ouvintes e surdos poderão compartilhar seus pontos de vista, suas curiosidades e compreender mundos diferentes.
Ensino de Libras e de Língua Portuguesa – As práticas bilíngues.

Nesses últimos anos, pode ser observado que há uma preocupação com as metodologias para o ensino dos surdos e estas estão ligadas à educação bilíngue. A Libras não depende da Língua Portuguesa para proporcionar o desenvolvimento cognitivo dos não ouvintes, mas há necessidade que o aluno surdo tenha contato com as duas e que essa relação seja de qualidade para que eles possam ter uma vida escolar normal a respeito do processo de ensino aprendizagem.

Com base nesta ideia, é possível entender que o aluno surdo, quando não possui conhecimentos de Libras, em especial na fase infantil, não terá sucesso, provavelmente nas aulas de português, uma vez que, no processo de educação bilíngue, as aulas de Língua Portuguesa são ministradas usando a Libras concomitantemente.

Utilizo a língua dos ouvintes, minha segunda língua, para expressar minha certeza absoluta de que a Língua de Sinais é nossa primeira Língua, aquela que nos permite ser seres humanos comunicadores. Para dizer, também, que nada deve ser recusado aos Surdos, que todas as linguagens podem ser utilizadas, a fim de se ter acesso à vida. (LABORIT, 1996, p.61)

É imprescindível que a Libras, como língua materna, seja a melhor maneira dos surdos terem uma vida comum, mas infelizmente a aceitação da educação bilíngue ainda é pequena.
 
¹Viviane Araújo da Silva é graduada em Letras Português-Inglês pela FJAV (Faculdade José Augusto Vieira), Lagarto-SE. E-mail: vivi-aninha@hotmail.com

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